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SÍNDROME DE BOURN OUT

  • 20 ago 2016
  • 8 Min. de lectura

Antes de expormos sobre o tema, conceituaremos um pouco a definição do que é saúde. Esta desenvolve a ideia de que a saúde das pessoas é um assunto ligado a elas mesmas. Segundo a definição internacional diz que a saúde seria esse estado de conforto, de bem-estar físico, mental e social. Podemos compreendê-la de duas maneiras: a primeira é que este bem-estar e de conforto, é impossível de definir, visto que, não há esclarecimentos consideráveis sobre esta questão; e segundo é que esse perfeito e completo estado de bem-estar, não existe. É qualquer coisa sobre a qual temos ideia. Poderíamos considerar como sendo um estado ideal, ou seja, uma ilusão, alguma coisa que não se sabe muito bem no que consiste, mas sobre a qual se tem esperanças. Ambiciosamente, poderíamos dizer que a saúde é antes de tudo, um objetivo a ser atingido para se chegar a este estado (DEJOURS, 1986).

Neste contexto, podemos citar três elementos a se considerar: a fisiologia, que se referem ao funcionamento do organismo, as suas regras que asseguram seu equilíbrio e sua sobrevivência; a psicossomática, que trata da relação do corpo com a mente, implicando na formação do pensamento, das fantasias e do sonho, e a psicopatologia do trabalho, em que o sujeito corre o risco de não ser mais o mesmo que antes do início do conflito e que a realidade do trabalho também corre o risco de ser transformada através do efeito de uma suplementação de subjetividade. Diante deste exposto, conclui-se que o organismo se encontra em constante movimento, pois crescendo ou envelhecendo continuamos com nessa dinâmica cotidianamente (GLINA, D. M. R.; ROCHA, L, 2000).

Em contra partida, abordaremos uma questão pertinente no que diz respeito as pessoas não saberem lidar com a democracia, com a responsabilidade da discussão, do diálogo, do trabalho coletivo. Isso implica diretamente de como se delineia os limites e os problemas decorrentes da falta de gerenciamento e de fiscalização, da burocracia, entre outros, que comprometem a implementação e descentralização das políticas públicas de saúde, mas, principalmente, impedem o exercício da democracia e da cidadania na saúde (SARRETA, 2009).

Desde então a escolha sobre Síndrome de Bournout, para demonstrar a gestão pessoal, ambiente e equipe, trazendo transtornos psicológicos, físicos, emocionais, e desgastes dos profissionais, e como resultado a síndrome da exaustão excessiva pelo trabalhador.

Bournout é um tipo de estresse ocupacional que acomete profissionais envolvidos com qualquer tipo de cuidado em uma relação de atenção direta, contínua e altamente emocional. Atualmente, a definição mais aceita do Bournout é a fundamentada na perspectiva social-psicológica de Maslach e colaboradores, sendo esta constituída de três dimensões: exaustão emocional, despersonalização e baixa realização pessoal no trabalho (MASLACH & Leiter, 1999).

Maslach, Schaufeli e Leiter (2001). Assim definem as três dimensões da síndrome: Exaustão emocional, caracterizada por uma falta ou carência de energia, entusiasmo e um sentimento de esgotamento de recursos; despersonalização, que se caracteriza por tratar os clientes, colegas e a organização como objetos; e diminuição da realização pessoal no trabalho, tendência do trabalhador a se auto avaliar de forma negativa. As pessoas sentem-se infelizes consigo próprias e insatisfeitas com seu desenvolvimento profissional.

Atualmente o estresse ocupacional é uma epidemia e a SB afeta cada vez mais pessoas em todo o mundo. No Brasil a International Stress Management Association (Isma) revela que, dos brasileiros economicamente ativos, 80% sofrem com a sobrecarga profissional e com os excessos que a cercam. Segundo pesquisa realizada pela Isma, 62% em cada mil executivos estão insatisfeitos com o excesso de tempo dedicado ao trabalho e relatam que um dos maiores fatores de estresse é a preocupação em se manter no emprego (LEAL, 2012).

SÍNDROME DE BOURNOUT COMO É ABORDADA


A categoria docente tem sido desde a fase pioneira de estudos sobre a Síndrome de Burnout (SB), uma das mais investigadas. Em 1979 há o primeiro registro de estudo descritivo realizado com professores (Perlman & Hartman, 1982). Na década de 1980, cresce o interesse por Burnout, pois diversas investigações mostraram resultados considerados alarmantes. Foram identificados sintomas em grupos profissionais que, até então, não eram consideradas populações de risco, pelo contrário, por serem profissões consideradas vocacionais, sendo a docência uma delas, acreditava-se que esses profissionais obtinham gratificações em todos os níveis, dos pessoais aos sociais (DELGADO ET AL., 1993).

No Brasil, a categoria docente, segundo análise da produção científica realizada por Carlotto e Câmara (2008), é uma das que contempla um maior número de investigações (BATISTA, et. al 2003).

A profissão docente é considerada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), como uma das mais estressantes, com forte incidência de elementos que conduzem à SB. Esse fenômeno, que atinge professores de diferentes países, parece portar um caráter epidêmico mundial que extrapola as fronteiras nacionais (GIL-MONTE, 2008).

O cenário educativo brasileiro apresenta um quadro bastante problemático no que se refere às questões relacionadas à saúde dos professores e às condições de trabalho (MARIANO; MUNIZ, 2006). Ensinar é uma atividade, em geral, altamente estressante, com repercussões evidentes na saúde física e mental e no desempenho profissional dos professores (REIS et al., 2006).

No trabalho docente, atualmente, estão presentes aspectos potencialmente estressores, como baixos salários, escassos recursos materiais e didáticos, classes superlotadas, tensão na relação com alunos, excesso de carga horária, inexpressiva participação nas políticas e no planejamento institucional (BENEVIDES-PEREIRA et al., 2003).

Segundo Sparks (1983), o estresse neste tipo de profissão ocorre porque os professores ficam muito tempo de seu dia fisicamente isolado de seus colegas de trabalho, não podendo expressar e dividir suas ideias com eles. Muitos professores não visualizam perspectivas em seu trabalho, não examinam seu sucesso profissional, sua competência e a satisfação que obtêm com ele. Trabalham estabelecendo uma rotina, esquecendo-se de atividades extraprofissionais e de lazer, não criando um estilo de vida saudável. Harden (1999) acrescenta a estes estressores a preocupação em como fazer seu trabalho de forma a lidar com a pressão para a conformidade e a necessidade de adotar algumas práticas com as quais o professor não se identifica.

Segundo Romeu (1987), os problemas no campo da educação no Brasil são mais sérios em relação à escola pública do que em relação à particular e, mesmo entre estas, mostram-se mais acentuados em umas do que em outras. Ferenhof e Ferenhof (2002) mostram que a ecologia da escola pública se encontra abaladas por vários fatores, entre eles, o descaso das autoridades do Estado: sujeira, grafitagem, alusão a siglas de grupos marginais ou rivais, cerceamento do direito do cidadão-professor de ir e vir, violência física e psicológica, rendição diante do quadro de marginalidade intra e extramuros escolares, desrespeito à função docente etc.

O professor, um dos principais atores desse cenário, acompanha perplexo esse novo contexto e as novas exigências e responsabilidades, desafiado a assumir um papel diferente do até então exercido (ESTEVE, 1999). Segundo o autor, esse novo contexto causa, não raras vezes, no profissional docente, sentimentos de mal-estar e impotência. Assim, o autor adverte sobre as desastrosas tensões e desorientações provocadas nos indivíduos quando estes se veem obrigados a sofrer uma mudança excessiva em um período de tempo demasiadamente curto.

De acordo com Araújo (2005), a categoria docente é uma das mais expostas a ambientes conflituosos e de alta exigência de trabalho. Assim, estressores psicossociais estão constantemente presentes e atuando sobre a saúde do professor.

O estresse é o resultado da interação entre indivíduo e ambiente, em que a pessoa percebe uma discrepância, real ou não, entre as demandas situacionais e os recursos dos seus sistemas biológico, psicológico ou social (SARAFINO,1994). As fontes de estresse são situações que dependem de uma determinada apreciação por parte de quem a vivencia e que impele a pessoa a realizar um esforço de adaptação superior às suas condutas habituais (FERNÁNDEZ-CASTRO; EDO,1998).

O Ministério da Saúde brasileiro (2001) reconhece a “Síndrome de Burn-out” ou “Síndrome do Esgotamento Profissional” como um tipo de resposta prolongada a estressores emocionais e interpessoais crônicos no trabalho, que afeta principalmente profissionais da área de serviços ou cuidadores, quando em contato direto com os usuários, como os trabalhadores da educação, da saúde, policiais, assistentes sociais, agentes penitenciários, entre outros.

COMO É VISTA SÍNDROME DE BOURNOUT PELAS INSTITUIÇÕES PUBLICAS

Tendo em vista que condições organizacionais são uma das variáveis desencadeantes do burnout, Kanaane (1994), enfatiza a importância de promover o bem-estar e a saúde dos indivíduos no trabalho, pois uma vez que estes encontram-se em estado de saúde, esta irá se refletir no funcionamento da instituição como um todo.

Segundo Benevides-Pereira (2001) a síndrome de burnout trás conseqüências nocivas tanto no campo das relações interpessoais quanto no campo profissional, ocasionando desta forma prejuízos pessoais (psicológicos, físicos, comportamentais, emocionais) sociais (isolamento, divórcio) e organizacionais (absenteísmo, rotatividade, baixa produtividade, acidentes de trabalho).

A síndrome de burnout apresenta-se hoje como um dos grandes problemas psicossociais. Tem gerado grande interesse e preocupação por parte da comunidade científica e também de entidades governamentais, empresariais e sindicais norte americano e européias, devido à severidade de suas conseqüências, sejam em nível individual como organizacional (CARLOTTO, 2000).

Cury (2001 apud Pinotti, 2005/2006, p. 212), em pesquisa realizada com professores da rede pública de ensino, mostrou que 92% dos professores do país apresentavam sinais de distúrbios causados pelo estresse, como dores de cabeça, ansiedade, transtornos do sono, cansaço excessivo, déficit de memória e concentra- ção.

De acordo com Amado (2000), os professores chegam a apresentar doenças como transtornos neuróticos, depressão, hemorroida, doenças do sistema digestório, amigdalite e infecção das vias respiratórias superiores.

Diversos trabalhos apontam que ser professor é uma das profissões mais estressantes na atualidade (Carlotto, 2002; Moreno-Jimenez et al. 2002; Silva et al. Revista Brasileira de Educação v. 19 n. 59 out.-dez. 2014 989 Avaliação comparativa dos sintomas da síndrome de burnout... 2008).

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) realizou uma pesquisa, entre os anos de 1996 a 1998, na qual a entidade entrevistou 52 mil professores de todos os estados. A pesquisa destaca que 50% dos entrevistados apresentavam a chamada síndrome de burnout (Pinotti, 2005/2006).

Segundo Levy (2006), a sobrecarga e a extensa jornada de trabalho geram desconforto entre os professores, propiciando o aparecimento da síndrome de burnout, principalmente em profissionais que trabalhem mais de sessenta horas semanais.

Sem um preparo prévio, os professores são expostos a uma pressão, exercida especialmente pelas novas tecnologias, sendo necessária uma revisão em sua metodologia de ensino. Isso conduz a um “novo” processo de formação de professores, os quais, além de possuírem conhecimentos técnicos, devem ser criativos e ter liderança, possuir especialização contínua, saber superar quaisquer obstáculos e ter capacidade de autodesenvolvimento (Kullok, 2000 apud Kullok, 2010, p. 47).

Afetados por esses problemas, a eles somados os sucessos e fracassos dos alunos e suas próprias exigências, os professores tornam-se esgotamento mais propícios ao burnout (Pinotti, 2005/2006).

Ao indagar se os professores haviam pensado em desistir da profissão, Caldas (2007) constatou que alguns deles se encontravam dispostos a abandonar a docência, enquanto outros afirmaram que nunca haviam pensado em desistir, mas que muitas vezes desanimaram. Entre os motivos assinalados pelos professores como influenciadores do sentimento de desistência do magistério, destacaram-se a desvalorização da profissão, as más condições de trabalho, a carga mental do trabalho, os baixos salários, as relações sociais na escola e o aumento da violência.

Folle e Nascimento (2009) concluem que o desejo de abandono da docência advém das frustrações vivenciadas pelos professores no dia a dia de sua profissão, principalmente com as relações estabelecidas e as condições de trabalho oferecidas. Contudo, o afastamento da profissão docente não tem se concretizado, devido à estabilidade profissional e à segurança financeira proporcionada por essa carreira. O autor também destaca que os professores acreditam ter consolidado sua carreira ao longo dos anos de atuação profissional. Além disso, por não terem desistido do magistério público, estão aguardando o direito concedido por lei para se afastar definitivamente do ambiente de trabalho e gozar dos benefícios conferidos pela aposentadoria. Vê-se, então, que a aposentadoria também pode ser um fator que influencia a não desistência desses docentes.

Nas últimas décadas, muitas pesquisas realizadas no exterior têm abordado o estresse ocupacional de professores, alertando para a seriedade do problema e suas implicações no sistema educacional. No Brasil, entretanto, a produção científica ainda é pequena e bastante recente (Pinotti, 2005/2006).


 
 
 

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